A pagina Psiquê - Conceito pretende operacionalizar a Psiquê-Logos. Psicologia Clinica e Psicanalise a partir da descrição dos conceitos que a sujazem.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Reinversão da Pulsão
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Repetição
O
conceito repetição surge em psicologia e psicanalise através de Sigmund Freud
(1856 – 1939) e está intimamente ligado ao conceito de compulsão.
Embora
seja, habitualmente entendido na sua patogeneidade, a repetição está presente
na nossa psique e no nosso quotidiano. É a repetição que possibilita ligar e
recriar pensamentos, símbolos, objetos, situações, vivencias, emoções,
sentimentos, etc. Permite ensaiar numa base sólida conhecida, o novo, está na base
da simbolização e do pensamento. Permite associar, ouvir ou ler de novo um
pormenor que escapou, importante para o entendimento, num quadro de referencia
importante. É a repetição que permite a criação de ritmos que rege a nossa vida
psíquica e que transforma todo o repetido em novo.
Em
1920, com a obra “Para Alem do Principio do Prazer”, Sigmund Freud relaciona
compulsão com repetição para dar conta de um processo inconsciente que o
individuo não consegue controlar e que obriga constantemente a repetir
sequências para assim poder resolvê-las, isto é liga-las, reelabora-las. Esta
situação ocorre com vista à significação psíquica, à compreensão do sofrimento.
Este autor chegou à conclusão de que um individuo que sofreu um trauma está
sempre a repeti-lo não com vista a aumentar o seu sofrimento mas com vista a
possibilitar que haja união desse trauma, em especial da dor de forma a
apazigua-la. Esta situação é muito comum, particularmente nas neuroses de
guerra nas quais é frequentemente serem relatadas repetições constantes de
ideias, imagens e pensamentos que provocam variados distúrbios pela inquietação
e perturbação que contêm.
Portanto,
a compulsão à repetição provem do campo pulsional do qual o caracter de insistência
tende a ter um caracter conservador. Tanto a repetição como a compulsão à
repetição, embora sejam diferentes, em psicologia clinica esfumam-se numa só
descrição, ficando o caracter normativo ou patológico (excessivo) apenas para a
compulsão À repetição que significa que um individuo tem tendência - compulsão
– para a repetição.
Faz
parte do inconsciente, é a rememorização do sofrimento ligado a um traumatismo.
Ainda a este propósito a compulsão à repetição e a repetição ficaram associados
ao exemplo dado por Sigmund Freud, da brincadeira Fort Da, do seu neto. Dos
relatos da brincadeira Fort Da, salienta-se que quando a sua mãe saía, o neto
de Sigmund Freud, Ernst, costumava atirar um carrinho de linhas para longe
dizendo “Fort” e depois quando o puxava dizia: “ohm, da”, fazendo isto
constantemente. Em alemão “Fort” quer dizer Fora e Da quer dizer dentro. Nesta
brincadeira repetida, vezes sem conta, o pequeno Ernst ia ensaiando tomar
controlo do sofrimento passivo que advinha da sua mãe sair de casa à tarde e
este ficar sozinho e abandonado. Ao repetir constantemente o atirar do carrinho
para longe e depois puxa-lo até si, a criança tomava controlo do seu sofrimento,
uma vez que dominava as entradas e saídas da mãe. Esta situação não obedece ao
princípio do prazer, mas sim a uma repetição da dor constante e que indica, não
que um individuo tenha tendência para provocar constantemente dor a si mesmo
mas que há uma impossibilidade de escapar a um movimento de regressão independentemente
do seu conteúdo. Esta regressão foi descrita por Sigmund Freud como uma
regressão ao repouso, ao estado de tranquilidade que existia antes do
sofrimento ter irrompido o psíquico e ter levado o individuo ao sofrimento. A
compulsão à repetição ficou então associado à tentativa do aparelho psíquico
não só tentar apaziguar o sofrimento provocado por um traumatismo através de
união e reunião de associações como também uma tentativa para voltar ao estado
de bem-estar anterior ao sofrimento que lhe foi infligido.
Tópica
O
conceito tópica significa lugar ou sistema. É uma das noções basilares da
Metapsicologia Freudiana, pois pressupõe a distinção do aparelho psíquico num
determinado número de sistemas interligados entre si com características e funções
distintas. Surge em psicanalise, com Sigmund Freud (1856 – 1939) referente às
duas tópicas que constituem a metapsicologia Freudiana:
A
1ª Tópica é constituída por Inconsciente (ICS) – Pré-Consciente (PCS) –
Consciente (CS).
A
2ª Tópica é constituída por Id – Super –Ego – Ego.
De
forma esquemática há três instâncias: O Id – o lado pulsional da personalidade,
O Ego, a instância que se situa como representante dos interesses da pessoa em
relação à realidade e por tal é investido de líbido narcísica, desejos e ansias
e o Super-Ego que é a instância que julga e critica a realização dos desejos e
dos impulsos vindos do Id e também da realidade. O Super- Ego regula a função
do Id e tenta regular também a função egoica. Da segunda tópica fazem parte as três
instâncias da 1ª tópica, isto é no Id existem conteúdos inconscientes, no Ego
existem conteúdos inconscientes, conscientes e pré-conscientes e no Super-Ego
existem conteúdos conscientes, inconscientes e pré-conscientes. Estabelecem-se
nas tópicas relações entre as instâncias e com as tópicas relações inter e
intra-sistemas.
Posição Depressiva
Modalidade
das relações de objeto de um individuo subsequente ao da posição
esquizo-paranoide. Surge por volta do 4º mês de idade de um bébé e é
progressivamente superada no decorrer da infância, ainda no 1º ano de vida. É
reativada durante o desenvolvimento do ser humano em processos de perda e
estados depressivos, testando-o nos seus limites de coerência, tolerância e
capacidade de superação dos mesmos.
A
posição depressiva original refere-se a capacidade de apreensão por parte da
criança da mãe no seu total, como objeto total. A clivagem entre bom e mau,
atenua-se na relação e vivencias com o materno e a psique da criança tende a
atenuar a separação radical entre as pulsões libidinais – de vida – e as
pulsões hostis - de morte – num só objeto, o 1º objeto de grande significado
identitário – a mãe -. A angustia chamada depressiva incide no perigo
fantasmático se destruir e perder a mãe graças ao sadismo do individuo. Estas
angustia depressiva pode ser resolvida de diferentes maneiras: de forma maníaca
– ( tentativa de superar a perda
negando-a intensamente), de forma obsessiva – (desprezando o objeto e com isso conseguir o triunfo sobre este) - de forma simbólica – (aceitando a perda e a partir dos mecanismo de sublimação, deslocamento
e simbolização, recriar essa perda pela substituição por outro objeto).
Superada a perda o objeto amado é introjetado de forma estável e
tranquilizadora. Este conceito foi introduzido por Melanie Klein ( 1882 – 1960)
Trauma
O
trauma psicológico pode ser entendido como qualquer acontecimento que pela
intensidade e seriedade da gravidade causa perturbação psicológica profunda,
repercutindo-se ao nível da organização e estrutura da personalidade. O trauma
habitualmente refere-se a acontecimentos extraordinários na vida de uma pessoa,
que por circunstância ou vivência passada demonstra uma incapacidade para
responder de forma adequada à situação vivida. Trauma é o foco, a lesão, o
conteúdo de um maleficio psíquico e traumatismo é o tamanho da lesão. Sigmund
Freud, (1856 – 1939), foi o primeiro autor a adotar o termo trauma para a área
da psicologia. Descreveu-o no decurso de toda a sua obra, em especial a
propósito das histerias, das neuroses de guerra e na constituição da teoria da
sexualidade. Este autor defende que o trauma é uma vivência que vem do exterior
e que origina uma excitação psíquica de tal forma intensa que o aparelho
psíquico fica inundado, afundado (pela
violência ou acumulação) em excitações as quais um individuo não consegue elaborar
nem descarregar, provocando transtornos importantes na organização psíquica. É
a partir do sinal de angustia que um individuo consegue determinar se aquele
acontecimento ou a vivência que está a ocorrer pode ser elaborada pela sua
mente ou não. O ego ao enviar um sinal de angustia informa que não pretende
ficar afundado em excitações psíquicas com as quais não consegue lidar,
provocando sofrimento pelo resultado de tal incapacidade ou transbordo
excessivo.
Descreve
o trauma a partir de três características:
intensidade ou violência, efração e consequências sobre a organização psíquica.
Este termo é de importância crucial para o processo de tratamento
psicoterapêutico psicanalítico.
Transferência
A
transferência, em psicologia, traduz-se pelo deslocar por parte do paciente dos
sentimentos, afetos e inclusive da própria relação que desenvolveu com um dos
pais, na infância, em determinada ocasião. Este mecanismo opera, habitualmente,
de forma inconsciente, embora o paciente possa reconhecer como traço seu, uma
determinada maneira de agir e reagir perante outro, em face de uma situação em
específico. A base do mecanismo de transferência é a repetição. A transferência está na base da cura analítica e esta
situação, operacionaliza a psicanalise e distingue-as de todas as outras
psicoterapias. O termo transferência surge com Sigmund Freud, (1856 – 1939), em
Estudos sobre a Histeria (1895) e em Interpretação dos Sonhos (1905) para
designar o deslocamento do investimento das representações psíquicas, mais do que
a relação paciente-analista. De um modo geral, o mecanismo de transferência
pode ser considerado próximo do mecanismo de deslocamento, uma vez que é,
igualmente, o transpor para um objeto (uma
pessoa, um animal, um objeto concreto, um valor, uma convicção, entre outros), sentimentos,
afetos e vivências que se repetem com um propósito.
Libido
Líbido
significa em sentido geral e comum energia sexual, em sentido estrito é uma
manifestação ou resultado da pulsão sexual na vida psíquica do ser humano. É a
manifestação dinâmica da vida interior de cada pessoa, sendo mais ou menos
mensurável de acordo com as nossas definições de amor e afetos. A líbido está
diretamente qualificada e quantificada na teoria de afetividade de cada
individuo cria para si. Também pode ser descrita do ponto de vista qualitativo ou quantitativo. Qualitativamente
consideramos a líbido como sexualizada, isto
é com objetivos da libertação sexual, com uso de mecanismos tais como a
sublimação e o deslocamento. Não tendo objetivos
de libertação sexual está dessexualizada,
isto é, relacionada com investimentos não sexuais, mais de caracter
narcísico, (auto-conservação).
Foi
introduzida por Sigmund Freud (1856 – 1939) na Teoria da Sexualidade (1905), a
líbido surge como associada unicamente ao desejo sexual, com objetivo na
satisfação. A libido enquanto energia pulsional liga-se a objetos comum
objetivo, abandona-os e passa para o seguinte. Mais tarde, este autor alarga o
conceito associando-o à vida, às pulsões de auto-conservação da própria vida,
da substancia viva em relação à substância morta. Nesse sentido, a libido
poderá ser caracterizada tendo mais um caracter de energia vital em vez de
energia sexual.
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