quarta-feira, 6 de maio de 2015

Repetição ( compulsão a )


O conceito de repetição está intimamente ligado ao de compulsão e embora apresente um caracter patológico, pode ser entendido na relação psicológica de objeto. Desde a nascença  que o ser humano repete ações, vivencias e/ou acontecimentos que são aquilo que se chamam ritmos ou rituais, permite o firmar e o estabilizar.
É o ato de repetir que dá a possibilidade de ligar e de criar enquanto elaboração psíquica habitual. Permite sobre o mesmo, ensaiar o novo, integrar, unir e associar.
 Em 1920, com a obra “Para Alem do Principio do Prazer”, Sigmund Freud relaciona compulsão com repetição para dar conta de um processo inconsciente que o individuo não consegue controlar e que obriga constantemente a repetir sequências para assim poder resolvê-las, isto é a tentar liga-las, a tentar reelabora-las.
Não é a procura de sofrimento da situação que desliga e desintegra que um sujeito procura, mas sim a possibilidade união por forma a apaziguar o excesso de estimulação ao nível do aparelho psíquico. A compulsão à repetição apresenta o caracter conservador e de procura de tranquilidade. Esta associada à regressão pela tentativa de voltar ao estado de bem-estar anterior ao sofrimento que lhe foi infligido.

Ideal do Ego


Ideal do Ego trata-se de um conceito de psicanalise criado por Sigmund Freud no texto “Uma introdução ao Narcisismo” (1914). Segundo este autor, é definido como instancia ideal constituída pelas aspirações parentais em relação ao filho/a e serve de referência ao ego. É mais pequeno e com menos importância que as instancia que constituem o aparelho psíquico : Id – Super-Ego- Ego. Resultante  da conciliação do narcisismo com a idealização do ego nas suas identificações aos pais, os seus substitutos e aos ideais coletivos, sejam estes sociais, comunitários, morais ou éticos. Um modelo ao qual o individuo procura alcançar. Diminui à medida do desenvolvimento psicológico, estando pois dependente deste na evolução. Podemos perceber a ação do ideal do ego na realidade quando um individuo se apaixona e vive o delírio amoroso de paixão inicial ou então, quando nos submetemos a um mestre ideal no qual se projetam as aspirações sonhadas.

Luto


O luto é um processo intrapsíquico que ocorre da perda concreta de um ente querido. Pode estar relacionada com a perda de um animal de estimação, um objeto em concreto, um lugar, uma posição, entre outros. É uma atividade de elaboração psíquica, de construção que se apresenta como uma necessidade da mente associar e/ou ligar representações traumatizantes relativas à perda.

Sigmund Freud, medico psiquiatra e psicanalista, foi o primeiro clinico a descrever o luto, quer como processo normativo ou processo patológico. 

Luto Normativo = consciência da perda, perda real/ luto é processo doloroso, lento e natural/ tem características de tristeza profunda e pode levar um individuo a resguardar-se no seu mundo, afastando-se dos outros/ grande atividade psicológica de perda e de criação sobre aquilo que se perdeu/ o pensamento, daquele que em luto, poderá estar na perda e não no trabalho, na relação amorosa, nos afazeres do quotidiano/ Medo e Culpa/ retração narcísica como meio de proteção contra o esvaziamento efetuado pelo objeto interno perdido.

Luto Patológico = Dedicação exclusiva à perda e à lamúria, sem possibilidade de construção / Danos Egoicos / Impasse sem solução (Id versus Ego, Super-Ego versus Ego) – a perda é concreta e a exigência é de recuperação do objeto concreto /insistência – interna – em recuperar aquilo que não existe mais/ recusa  e negação da realidade.

 

O Luto é um processo psicológico universal e é palco de estudos por parte de psicólogos, médicos, antropólogos, sociólogos, biólogos e tantos outros profissionais que se dedicam à investigação e tratamento do ser vivo – humano ou animal -.

Tópica


É um dos conceitos mais importantes na metapsicologia freudiana. Significa sistema. O aparelho psíquico – a mente – descrita na metapsicologia pressupõe um determinado número de lugares que interagem entre si e possibilitam cada individuo ser como é, de acordo e no limite as suas funções cognitivas e afetivas em relação ao mundo externo. A esses lugares ou também designados sistemas foi dado o nome de tópica. Com Sigmund Freud e na psicologia clinica de base psicanalítica, existem duas tópicas:

A 1ª Tópica é constituída por Inconsciente (ICS) – Pré-Consciente (PCS) – Consciente (CS).

A 2ª Tópica é constituída por Id – Super –Ego – Ego.

Em síntese, existem três instâncias: Id (o lado pulsional), o ego ( a instancia que representa os interesses pessoais, em toda a sua extensão e a realidade), o super-ego (instancia que julga, critica e impede que os impulsos mais imediatos sejam realizados sem concordância com as contenções morais e éticas internas e externas). O Super-Ego regula a função do Id e tenta também regular a função do Ego. Este é o sistema ou tópica considerada atualmente . (= 2ª tópica ). A 1ª tópica – Inconsciente-pré-consciente-consciente, foi na origem da psicanalise a vigente para compreender os processos psíquicos, contudo, atualmente está integrada na 2ª tópica, estando por reduzida a conteúdos: conteúdos inconscientes, conscientes e pré-conscientes que constituem os sistemas da 2ª tópica.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Imago


Imago é a noção que designa uma representação mental de uma pessoa em relação a outra. É um “retrato” inconsciente das pessoas significativas na vida de um individuo, em especial o pai e a mãe, que molda e guia a percepção que se faz de qualquer pessoa.
As imagos principais são elaboradas durante as primeiras relações do bebé e ao longo da infância. Pode-se afirmar que uma imago materna é uma imagem subjetiva e fantasmática da mãe que foi constituída pela criança durante a infância.
É o juízo, pouco consciente que se faz do outro. Não é o retrato fiel à realidade mas poderá, de acordo com as vivência e a identidade de cada um, aquilo que mais próximo da realidade está.
Um imago objetiva-se através de pensamentos, imagens ou sentimentos.

Objeto Transicional


Foi descrito por D. Winnicott, psicanalista inglês e trata-se de um objeto material que adquire um valor importante de separação entre o bébé e a sua mãe. É associado à fralda e ao ursinho que fala e tem sono e é importante enquanto jogo e criação para a criança. É segundo este autor as tentativas da identidade que vai ser, o consolidar da verdadeira relação de objeto.

Transicionalidade


Em psicologia diz respeito ao espaço intermédio entre a realidade e o imaginário, entre o  mundo interno e o mundo externo. É o espaço que separa e também liga o individuo, é caracterizado como de criação, de jogo, de imaginação e também de relação.
Foi concetualizado por D. Winnicott, médico pediatra e psicanalista que se dedicou ao estudo da relação da criança com a mãe